RESPONSABILIDADE SOCIAL

INTRODUÇÃO

O tema responsabilidade social empresarial vem ampliando espaços na mídia e no meio organizacional. O debate e as ações de responsabilidade social, entretanto, não devem ser banalizados ou interpretados como mecanismos de marketing e meio de projeção social da organização.

A responsabilidade social empresarial pode ser compreendida como sendo as ações das empresas para a manutenção e preservação da sociedade, do meio ambiente e do homem.

Dentro do contexto de responsabilidade social empresarial um estilo de liderança muito popular atualmente é a Liderança Servidora.  Aplicando o conceito de liderança para o serviço no âmbito empresarial, Kanitz (2004), administrador por Harvard, escreveu o seguinte:

“Poucas empresas estão organizadas e treinadas para servir o outro,
nesse caso o cliente. As companhias de sucesso serão as empresas que
eu chamaria de preparadas para servir. Se ensinarmos as pessoas que
servir o outro não é degradante, mas, pelo contrário, um raro prazer,
construiremos uma sociedade sólida e uma plataforma de exportação de
serviços. Criaremos uma nação de cidadãos compromissados com o cliente
e com o social. Vamos começar hoje a aprender a servir o outro em vez
de somente nos servir.” (p. 20)

 

REFLEXÃO ACADÊMICA

O conceito de responsabilidade social corporativa está associado ao reconhecimento de que as decisões e os resultados das atividades das companhias alcançam um universo de agentes sociais muito mais amplo do que o composto por seus sócios e acionistas (shareholders).

Desta forma, a responsabilidade social corporativa, ou cidadania empresarial, como também é chamada, enfatiza o impacto das atividades das empresas para os agentes com os quais interagem: empregados, fornecedores, clientes, consumidores, colaboradores, investidores, competidores, governos e comunidades.

Este conceito expressa compromissos que vão além daqueles já compulsórios para as empresas, tais como o cumprimento das obrigações trabalhistas, tributárias e sociais, da legislação ambiental, de usos do solo e outros. Expressa, assim, a adoção e a difusão de valores, condutas e procedimentos que induzam e estimulam o contínuo aperfeiçoamento dos processos empresariais, para que também resultem em preservação e melhoria da qualidade de vida das sociedades, do ponto de vista ético, social e ambiental.

Tais práticas ganham impulso, no meio organizacional, a partir da intensificação da internacionalização da economia associada à crise do setor público. A globalização e o crescente desenvolvimento tecnológico trouxeram mudanças no comportamento dos consumidores.

Nota-se que as organizações socialmente responsáveis têm tido maior reconhecimento do que as não responsáveis. Outro fator que justifica a ampliação do debate em torno do tema é que os meios de comunicação de massa (televisão, jornal, rádio, internet) têm contribuído para a democratização da informação, fazendo com que a população amplie conhecimentos e a consciência cidadã crítico-reflexiva.

De um modo geral, a responsabilidade social das empresas tem se restringido às ações que visam atender às exigências técnicas e legais, ignorando-se os aspectos ligados às obrigações da empresa para com a sociedade. No entanto, o conceito de responsabilidade social é mais abrangente, constituindo-se no grau em que os administradores de uma organização realizam atividades que protejam e melhorem a sociedade além do exigido para atender aos interesses econômicos e técnicos da organização.

Portanto Yunus (2010) lança o conceito de “empresa social”, como uma das soluções para superar a pobreza no mundo. Para ele a empresa social está voltada para a solução de problemas sociais e ambientais e opera como qualquer outro empreendimento convencional, envolvendo a necessidade de ser competitivo e estruturado da maneira mais eficiente possível. No entanto, a empresa social tem uma diferença: não distribui dividendos aos acionistas. A ideia é que a empresa pague aqueles que a financiaram, mas o lucro, ao invés de ser distribuído, fica retido para investimento na própria companhia.

De acordo com Yunus (2010):

Uma empresa social é projetada e dirigida como um empreendimento, com produtos, serviços, clientes, mercados, despesas e receitas: a diferença é que o princípio da maximização dos lucros é substituído pelo princípio do benefício social. Em vez de acumular o maior lucro financeiro possível – para ser desfrutado pelos investidores -, a empresa social procura alcançar objetivos sociais (p. 37).

Uma variante da empresa social, de acordo com o autor, é aquela que atua como uma EML (Empresa Maximizadora dos Lucros), nem sempre destinada a resolver problemas sociais, porém a propriedade é das pessoas pobres:

Nesse caso, o benefício social consiste no fato de que os dividendos e o crescimento do capital social produzidos pela EML servirão para beneficiar os pobres, ajudando-os a reduzir a pobreza ou até mesmo a sair dela completamente (…). Na realidade, o benefício social oferecido por esse tipo de empresa emana de sua propriedade (p. 42).

Yunus (2012) relata a parceria estabelecida entre o grupo Grameen e a Danone, resultando em uma empresa social chamada Grameen Danone, onde o objetivo é a fabricação de um yogurte a um preço que possa ser acessível aos mais pobres, que enriqueça a alimentação das crianças. Vários estudos e testes foram realizados, e a produção se iniciou em uma fábrica que ainda atende a uma pequena região de Bangladesh, porém com perspectivas de construção de mais fábricas para levar o yogurte para todo o país.

 

Liderança para o Serviço e o Líder Servo

Dentro do contexto de responsabilidade social empresarial um estilo de liderança muito popular atualmente é a Liderança Servidora.  Greenleaf (1977), que passou a maior parte de sua vida na AT&T, usou pela primeira vez a expressão liderança servidora em 1977 em seu livro intitulado Servant Leadership.

A entidade Robert K. Greenleaf Center Servent-Leadership, é o berço do conceito de líder servidor no mundo dos negócios.

A mensagem que ele transmite é que o líder deve ter foco nas pessoas, e as empresas devem tratar os funcionários e clientes com justiça e estimular os seus profissionais em seu crescimento pessoal.

Greenleaf (1977) convida as pessoas a considerar o domínio da liderança estabelecido no ser, não no fazer. Ele afirma que a primeira e mais importante escolha que um líder faz é a escolha de servir, sem a qual a capacidade de liderança fica profundamente limitada. Essa escolha não é uma ação no sentido habitual, não se trata de algo que você faça, mas uma expressão do seu ser.

Para Greenleaf (1977), ser um líder está ligado ao relacionamento entre o líder e os liderados. Apenas e tão-somente quando a escolha de servir é a base da formação moral dos líderes é que o poder hierárquico que separa o líder dos liderados não se corrompe.

A essência da liderança, para Greenleaf (1977), é o desejo de servir uns aos outros e de servir alguma coisa além de nós mesmos, um propósito mais elevado.

De acordo com Oliveira & Marinho (2009), a Liderança Servidora tem sido pesquisada, aplicada e apoiada por diferentes expoentes da literatura contemporânea sobre liderança, tais como Peter Senge, Stephen Covey, James M. Kouzes, Barry Z. Posner, Susan Kuczmarski, J. Thomas Wren, Larry Spears, Ken Blanchard, Max DePree, Margareth Wheatley, Daniel Goleman e outros.

A Teoria da Liderança Servidora, segundo Oliveira & Marinho (2009), desafia o paradigma tradicional de chefia, quebra o mito da hierarquia intocável, propõe aprendizagem com os erros da equipe, busca a opinião e a experiência de todos os níveis da empresa, invade os chamados segredos da cúpula e distribui a informação outrora  privilegiada para todo o grupo, a fim de que todos sintam que são parte do mesmo time, lutando pela vitória comum.

Um dos autores que mais popularizou a Teoria da Liderança Servidora fora do meio acadêmico foi James Hunter no livro O Monge e o Executivo: Uma História sobre a Essência da Liderança, onde ele diz que a liderança servidora se baseia no conceito de que liderar significa servir.

Pregando a filosofia do Líder Servo, inspirado na vida de Jesus, Hunter (2004) não só conquistou muitos leitores, mas também grandes clientes como Força Aérea Americana, American Express, Nestlé, Procter & Gamble, etc.

Ele fala de espiritualidade no escritório, que é preciso amar o colega de trabalho e que devemos buscar inspiração em um homem que não tinha título ou poder terreno nenhum, não fez MBA, não pisou em uma empresa, mas é o maior líder de todos os tempos – Ele foi JESUS.

Barker (2005), no livro: Jesus, o maior Psicólogo que já existiu, comenta que Jesus era suficientemente confiante para assumir o papel de servidor. Ele sabia que o status e o poder não tornam uma pessoa importante. O que faz uma pessoa ser importante é sua capacidade de servir os outros.

O líder, para Hunter (2004), é aquele que lembra às pessoas que o que elas fazem é muito importante, e as ajuda a ver sentido no seu trabalho e a se desenvolver. Em resumo, cabe ao líder servir: Quanto mais servimos, mais bem-sucedidos nós somos.

Entre as empresas mais bem sucedidas do mercado norte-americano que seguem o conceito da liderança servidora, podemos citar a Starbucks, Walmart, Southwest Airlines e FEDEX, segundo Hunter (2004).

MacGee-Cooper & Trammell (2002) listam cinco atitudes básicas da liderança servidora: ouvir sem julgar, ser autêntico, construir comunidade, partilhar poder, desenvolver as pessoas.

Já Spears (1995) faz uma lista das características consideradas indispensáveis no líder servo: saber ouvir, empatia, atitude terapêutica, consciência, persuasão, visão, altruísmos, compromisso com o crescimento das pessoas, senso de comunidade.

 

REFLEXÃO PESSOAL

Pela minha experiência pessoal percebo que ainda são poucas, mas cada vez mais crescente, o número de empresas e organizações que amplia o conceito de responsabilidade social passando do enfoque puramente técnico-legal para o âmbito social, buscando desenvolver atividades éticas que venham a beneficiar a sociedade e o meio ambiente.

Quanto a Liderança Servidora concordo com Hunter (2004) quando ele diz que muita gente não tem ideia do que é a liderança servidora porque pensam que a liderança está ligada ao poder, pois foi o que apreenderam, mas agora é preciso ver a liderança de outra forma.

Portanto, concluo que a verdadeira responsabilidade social só acontece quando há liderança servidora, e isto significa espontaneamente servir o outro e ajudá-lo a se tornar o melhor que ele pode ser. Esse é o grande teste da liderança. Quando as pessoas partem, elas estão melhores do que quando chegam? Elas cresceram? Elas se desenvolveram? Ajudá-las a fazer isso exige amor.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Barker, M. W. (2005). Jesus, o maior psicólogo que já existiu. Rio de Janeiro: Editora Sextante

Bennis, W & Nannus, B. (1985). Líderes: Estratégias para um liderazgo eficaz. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica.

Bergamini, C. W. (2009). Liderança: administração do sentido.  São Paulo: Atlas.

Farnsworth, K. A. (2007). Leadership as Service. Westport, CT: ACE American Council on Education, Praeger Publishers.

Greenleaf, R. K. (1977). Servant leadership : A journey into the nature of legitimate power and greatness. New York: Paulist Press.

Hunter, J. C. (2004). O monge e o executivo – uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Editora Sextante.

Kanitz, S. (2004). Preparadas para Servir. Revista Veja, Editora Abril, edição 1850, ano 37, nº 16, 21 de abril de 2004, página 20.

McGee-Cooper, & Trammell, D. (2002). Servant Leadership Learning Series: Foundations. Dallas: Ann McGee-Cooper and Associates, Inc.

O´Tole, J. (1997). Liderando Mudanças. São Paulo: Makron Books.

Oliveira, J. F. & Marinho R. (2009). Liderança: Uma Questão de Competência. São Paulo: Editora Saraiva.

Spears, L. C. (1995). Reflections on Leadership. New York: John Wiley & Sons, Inc.

Yunus, M. (2008). O Banqueiro dos Pobres. São Paulo: Editora Ática.

Yunus, M. (2010). Um Mundo sem Pobreza. São Paulo: Editora Ática.