FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS

INTRODUÇÃO

Fundamentos filosóficos são pensamentos voltados a um plano espiritual. Aprendizados seculares também ajudam a formar uma visão social, de liderança e serviço, dependendo do contexto a que se está inserido.

Segundo Oliveira & Marinho (2009), boa parte das principais teorias de liderança, possuem questões-chave que se relacionam com fundamentos da filosofia. Podemos afirmar, então, que esta competência é primariamente necessária ao desenvolvimento das demais competências, ou está intrinsicamente relacionada elas.

 

REFLEXÃO ACADÊMICA

Para Sire (2009), a capacidade de compreender e avaliar as cosmovisões mostra-se de vital importância, e na sua concepção, cosmovisão é um comprometimento, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser total ou parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas), que detemos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade e que fornece o alicerce sobre o qual vivemos, movemos e possuímos nosso ser.

Nossa visão de mundo nos proporciona perspectiva, e nos permite escolher nossos rumos e ações. Os pressupostos que ajudam a construir essa visão de mundo podem não ser verdade, e eles podem ser inconscientes ou incoerentes, mas eles ajudam a construir essa estrutura que nós penduramos nossos valores e escolhas, portanto de acordo com Sire (2009), é fundamental conhecermos a base algumas cosmovisões como teísmo cristão, deísmo, naturalismo, niilismo, existencialismo, monismo panteísta oriental, da filosofia da Nova Era e do pós-modernismo.

 

1. Um universo permeado da grandeza de Deus: teísmo cristão

Teísmo cristão é essencialmente dependente do conceito de Deus, e o teísmo sustenta que tudo provém dele. (p44).Deus é bom e é o fundamento dos valores. (p73). O teísmo é o padrão para o qual todas as outras cosmovisões são julgadas.

 

2. A precisão do universo: deísmo

Deísmo não vê o universo como caído, mas sim como normal e não vê o Deus das escrituras, mas sim na natureza. “Deus está distante, estranho, alienígena. (p49).

 

3. O silêncio do espaço finito: naturalismo

No naturalismo apenas importa o que existe. É a radicalização do realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência. O sobrenatural não existe, portanto para eles Deus não existe. O universo é visto como um sistema fechado e o Criador é renegado a nada.

 

4. Marco zero: niilismo

O niilismo é a negação de tudo – o conhecimento, a ética, a beleza, a realidade. No niilismo, nenhuma declaração tem validade. Nada tem sentido. Tudo é gratuito.

É a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta ao “porquê”. Os valores tradicionais depreciam-se e os princípios e critérios absolutos dissolvem-se.

Tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão. A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho, avistar um ancoradouro.

 

5. Além do niilismo: existencialismo

O Existencialismo afirma que a realidade para os seres humanos aparece como subjetiva e objetiva. O primeiro tipo de ser é o mundo objetivo – o mundo do material, da lei inexorável de causa e efeito, do tempo cronológico, do fluxo e do mecanismo. O segundo tipo de ser é o mundo subjetivo – o mundo da mente, da consciência, da liberdade e da estabilidade.

Os existencialistas partilham da crença que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual. No existencialismo, o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por “atitude existencial”, ou uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo. (p115).

 

6. Jornada rumo ao oriente: monismo panteísta oriental

Monismo panteísta se distingue de outras visões do mundo oriental pela sua noção de que o monismo (unidade da realidade como um todo) é apenas um elemento impessoal que constitui a realidade. Tudo é bom e tudo é mau. Toda a lógica parece circular. Para o ocidental, o monismo oriental panteísta mantém a promessa de paz eterna.

 

7. Um mundo separado: a Nova Era

A cosmovisão da Nova Era é eclética e não se limita a um ponto de vista único. Dentro da Nova Era, o eu é visto como a realidade primordial. A experiência central da Nova Era é a consciência cósmica, em que as categorias ordinárias do espaço, a moralidade do tempo, tendem a desaparecer.

Denominan-se com sendo uma “filosofia de vida” de bem-estar, tolerância universal. A Nova Era pretende realizar o que seu nome indica: “derramamento de água” ou “era de aquários” sobre o mundo, para simbolizar a vinda de um novo “espírito” ou “nova mentalidade”. Essa nova Era é assim denominada, porque pretende suplantar a “Velha Era”, a Era de Peixes, uma referencia ao cristianismo, uma vez que o peixe é simbolo do Cristão. Esta “nova mentalidade” provocará nos seres humanos uma expressão (ou “despertar”) de “consciência”, desligando as pessoas do cristianismo. Para auxiliar neste processo, algumas psicotécnicas são empregadas, tais como: Tarô, Yoga, Meditação, Mapa Astral, Gurus, Esoterismo, etc.

 

8. O Horizonte desvanecido: pós-modernismo

(p188).

Para o pós-modernismo não há nenhuma verdade sobre a realidade, porque ela está escondida. A verdade é tudo o que podemos obter dos nossos colegas e da nossa comunidade. O poder está dentro das narrativas e da linguagem. O Eu individual é derivado das histórias do que os indivíduos dizem sobre si mesmos.

Hoje percebemos um tempo mergulhado numa profunda crise de identidade. O homem se esvaziou devido às decepções sofridas com os sistemas organizados, o que inclui com destaque a religião tradicional.

Conseguinte ao esvaziamento veio à tona a visibilidade de uma carência de Deus pretensamente preenchida pelo consumismo de tudo que está à mão, quer seja do mercado secular, quer seja do mercado religioso. Contudo este vazio com forma de Deus é transcendente em sua essência. Por isso ele se apresenta cada dia maior, pois só a pessoa viva de Deus pode preenchê-lo. Enquanto não entende isso, o homem pós-moderno vai tentando saídas úteis de como manter satisfeita essa fome de eternidade e nisso, perde-se de vista a linha divisória entre o sagrado e o profano.

Definir quando exatamente começou a pós-modernidade não é tarefa fácil e não se pode estabelecer um episódio único para o início da pós-modernidade, portanto apresentaremos vários acontecimentos do século XX que a construíram progressivamente:

 

Pré-Modernidade (das origens do cristianismo até a Idade Moderna)

As características básicas deste longo período são as seguintes:
- Teocentrismo ou visão centrada na divindade.
- homem como fantoche de Deus.
- excesso de lendas e mitos populares.

 

A Modernidade (do século XIV até ao século XX)

Como características desse período podemos listar as seguintes noções:
- Antropocentrismo ou visão centrada na humanidade.
- extraordinário avanço científico e tecnológico.
 

A Pós-Modernidade (século XX até por volta dos anos 90)

Eis as características deste tempo:
- individualismo misturado com nihilismo ou o “nada” como centro de todas as coisas.
- rebeldia contra todo e qualquer sistema organizado.
- um momento de incertezas.

Contudo, há alguns elementos do pensamento pós-moderno que são harmônicos com a cosmovisão do cristianismo. Um deles é o conceito de que o autoconhecimento é um dos mais importantes passos na aquisição de uma cultura acadêmica verdadeiramente eficaz.

Assim, adaptando à nossa realidade, podemos dizer que nenhum aluno universitário deveria sair da faculdade sem saber qual o seu próprio perfil psicológico e da sociedade para a qual ele vai trabalhar. Um descaso para com este detalhe pode levar ao fracasso o mais bem planejado programa profissional, pois os tempos e as pessoas mudam, de modo que algo que fez sucesso anos atrás pode não trazer nenhum benefício para nossos dias.

Levando-se em consideração, é claro, que na perspectiva cristã esse autoconhecimento é sempre subsequente e independente ou nunca antecedente ao conhecimento de Deus. 

 

Pós-pós-modernidade ou hipermodernidade (anos 90)

Alguns autores mais recentemente têm entendido que a globalização e a Internet mergulharam o mundo num novo estágio que seria a pós-pós-modernidade.

Um dos promotores dessa nova época é o filósofo francês Gilles Lipovetsky. Ele escreveu os livros “Os tempos hipermodernos”, “A Era do Vazio”, “O luxo eterno” e “O império do efêmero”. Curiosamente ele não aceita chamar essa nova época de pós-pós-modernidade porque, embora tenha sido um dos promotores do vernáculo pós-moderno, ele o abandonou posteriormente e hoje acha que a pós-modernidade não existiu. Ele prefere falar de “hipermodernidade”, isso é, uma exacerbação dos valores criados na Modernidade, que atualmente estão elevados de forma exponencial. O hiato criado entre os anos que atribuímos à pós-modernidade (para ele anos 60, 70 até 85) são para ele apenas uma faze de transição entre a modernidade e sua exacerbação e não um “pós”.

A Hipermodernidade é caracterizada por uma cultura do excesso, do sempre mais. Todas as coisas se tornam intensas e urgentes. O movimento é uma constante e as mudanças ocorrem em um ritmo quase esquizofrênico determinando um tempo marcado pelo efêmero, no qual a flexibilidade e a fluidez aparecem como tentativas de acompanhar essa velocidade.

HIPERMERCADO, HIPERCONSUMO, HIPERTEXTO, HIPERCORPO.

Tudo é elevado á potencia do mais, do maior. É o ópio, ou a preparação para o abismo.

As características básicas deste fenômeno (que para alguns nem seria um período, mas um desdobramento da pós-modernidade), seriam:

- Busca por vias alternativas às vias comuns – relacionamento virtual, sexo por computador, celular cuja função principal não é a telefonia, medicina alternativa, novos modelos de família sem casamento e sem convivência, novas modalidades de trabalho em casa com horários não fixos etc.

- Busca por um governo mundial unificado – por causa dos riscos da Internet, bolsa de valores, tráfico de drogas, terrorismo, problemas ecológicos.

- Fim dos mega discursos. A troca das explicações tradicionais por ideias sensacionalistas que chamem a atenção e apelem para o espírito de “furo” jornalístico ou de revelação de um segredo que abalaria as estruturas de uma organização tradicional. Ex. Código Da Vinci, adventistas.com etc.

- Busca por uma espiritualidade alternativa que não implique necessariamente a um retorno ao Deus da pré-modernidade. Ex. Misticismo em todos os seus sentidos, Igreja Universal, Harry Potter, Nova Era, etc…

- Alienação em face ao perigo. Nos anos 60 e 70 a ameaça de uma guerra nuclear ou do fim do mundo fazia com que os americanos estocassem comida e suprimentos. Hoje, mesmo em face da ameaça de falta d’água e outras tragédias escatológicas todos parecem tranquilos. Ideias como fim do mundo e Volta de Cristo mexem com poucos.

 

REFLEXÃO PESSOAL 

Compreendo que vivemos em meio a um mundo pluralista, portanto o que nos parece óbvio pode ser considerado uma “mentira” para o nosso vizinho. Se não reconhecermos isso, de certo somos ingênuos e provincianos e temos muito ainda por aprender sobre a vida no presente mundo.

Por outro lado, se acharmos que nenhuma das perguntas pode ser respondida sem cometer enganos ou suicídio intelectual, na realidade, adotamos um tipo de cosmovisão – uma forma de ceticismo que, em sua forma extrema, leva ao niilismo.

O fato é que não conseguimos evitar assumir algumas respostas para tais questões. Ou adotamos um ponto de vista ou outro. A recusa em se adotar uma cosmovisão explícita, mostrará ser, em si mesma, uma cosmovisão ou, pelo menos, uma posição filosófica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bergamini, C. W. (1994). Liderança – Administração do Sentido. São Paulo: Editora Atlas.

Guerra, T. G. (2008). Cómo planear una investigación empírica. Montemorelos: Universidad de Montemorelos.

Sire, J. W.(2009). O Universo ao lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão. São Paulo: Editora Hagnos

Knigth,G. R.  (2008). Filosofia da Educação Cristã. São Paulo: Unasprex

Oliveira, J.F. & Marinho, R. M. (2009). Liderança. Uma Questão de Competência. São Paulo: Editora Saraiva.

Stott, J. (2012). Crer é Também Pensar. São Paulo: Abu Editora.

Wheatley, M. J. (2009). Liderança e a Nova Ciência. São Paulo: Editora Pensamento – CultrixvLtda.

Cortella, M. S. (2010). Qual é a tua Obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. Petrópolis: Editora Vozes