ÉTICA, VALORES E ESPIRITUALIDADE

INTRODUÇÃO

Ética, valores e espiritualidade acabam por se entrelaçar em vários momentos. Digamos que a espiritualidade seja a força impulsionadora da ética e dos valores. Mahatma Ghadi foi um homem cujos valores foram bem evidentes. Um dos valores que vivia e pregava era Ahinsa (do sânscrito A – negação e Hinsa – violência) significa guiar-se cuidadosamente, de modo a evitar que qualquer conduta ou comportamento venha a gerar dor, sofrimento ou humilhação, física ou psicológica a alguém.

Considerando a ideia de alguns autores, como Greenleaf (1977), liderar tem haver com servir. Tal modelo fundamenta-se em três pilares: Moralidade, integridade e responsabilidade social.

 

REFLEXÃO ACADÊMICA

Para Marinho & Oliveira (2009), todos nós temos uma noção básica do que é ser ético e do que é contrário à ética. Entendemos por ética aquilo que anda de acordo com regras de comportamento. Ética é parte da filosofia que estudam os princípios que motivam e orientam o comportamento humano.

É cada vez maior a importância dos aspectos culturais, que precisam ser tomados em conjunto com preocupações éticas e morais no entendimento da responsabilidade social nos negócios, principalmente nesta fase da historia em que culturas diferentes estão cada vez mais entrelaçadas e precisam conviver.

Hoje em dia as organizações precisam estar atentas não só a suas responsabilidades econômicas e legais, mas também a suas responsabilidades éticas, morais e sociais.

Responsabilidades éticas correspondem a atividades praticas e comportamentos esperados (no sentido positivo) ou proibido (no sentido negativo), por membros da sociedade apesar de não codificados em leis.

Elas envolvem uma serie de normas, padrões ou expectativas de comportamento para atender o que diversos públicos (Stakeholders) com as quais a empresa se relaciona,  consideram legitimo, correto, justo ou de acordo com seus direitos morais ou expectativas.

Essas responsabilidades éticas correspondem a valores morais específicos. Valores morais dizem respeito a crenças pessoais sobre comportamento eticamente correto ou incorreto, tanto por parte do próprio individuo quanto com relação aos outros.

É dessa maneira que valores morais e éticos se complementam. A moral pode ser vista como um conjunto de valores e de regras de comportamento que as coletividades, sejam elas nações ou grupos sociais organizados, adotam por julgarem corretos e desejáveis.

Ela abrange as representações imaginarias que dizem aos agentes sociais o que se espera deles, que comportamentos são bem-vindos, qual é a melhor maneira de agir coletivamente, o que é o bem e o que é o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o vício.

A ética é mais sistematizada e corresponde a uma teoria de ação rigidamente estabelecida. A moral, em contrapartida, é concebida menos rigidamente, podendo variar de acordo com o país, o grupo social, a organização ou mesmo o individuo em questão.

Em outras palavras, os valores morais de um grupo ou organização definem o que é ser ético para si e, a partir daí, elaboram-se rígidos código sépticos que precisam ser seguidos sob pena de ferirem os valores morais preestabelecidos.

 

Definição de Ética

O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.

A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.

Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas biológicas é denominada bioética.

Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética de trabalho, ética empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc.

Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado.

Para Valls (1993), a ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta.

 

Definição de Valores

Os valores não são coisas nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que traduzem as nossas preferências. Existe uma enorme diversidade de valores, podemos agrupá-los quanto à sua natureza da seguinte forma:

Valores éticos: os que se referem às normas ou critérios de conduta que afetam todas as áreas da nossa atividade. Exemplos: Solidariedade, Honestidade, Verdade, Lealdade, Bondade, Altruísmo…

Valores estéticos: os valores de expressão. Exemplo: Harmonia, Belo, Feio, Sublime, Trágico.

Valores religiosos: os que dizem respeito à relação do homem com a transcendência. Exemplos: Sagrado, Pureza, Santidade, Perfeição.

Valores políticos: Justiça, Igualdade, Imparcialidade, Cidadania, Liberdade.

Valores vitais: Saúde, Força.

Não atribuímos a todos os nossos valores a mesma importância. Na hora de tomar uma decisão, cada um de nós, hierarquiza os valores de forma muito diversa. A hierarquização é a propriedade que tem os valores de se subordinarem uns aos outros, isto é, de serem uns mais valiosos que outros. As razões porque o fazemos são múltiplas.

 

Espiritualidade Cristã

Espiritualidade é uma escolha que fazemos para “conhecer e crescer” no nosso relacionamento diário com Deus ao submeter-nos ao ministério do Espírito Santo em nossas vidas. Isso significa que, como Cristãos, fazemos a escolha de manter uma comunicação intima com Cristo através do o Espírito Santo atuando em nossa vida.

Espiritualidade Cristã é ter uma consciência espiritual que não é interrompida por carnalidade ou pelo pecado. Portanto, um Cristão espiritual é aquele que nasceu de novo e faz uma escolha contínua e consistente de se entregar ao ministério do Espírito Santo.

A espiritualidade se relaciona com experiências transcendentais e entendimentos relacionados especificamente com a realidade divina e sobrenatural. É onde os indivíduos constroem a sua compreensão e aceitação ou rejeição de Deus e da natureza do amor de Deus, a justiça e/ou relacionamento com os humanos. A espiritualidade é tradicionalmente desenvolvida nas experiências religiosas individuais e em grupos, embora as práticas modernas e pós-modernas criaram outras alternativas para as “espiritualidades” se formarem.

 

Ética no Mundo Corporativo

Muito se tem falado em ética no mundo corporativo, nas empresas a ética tem sido muito usada como recurso mercadológico.  A propagação de políticas de implantação de um código de ética no meio empresarial ajuda a manter uma boa imagem diante de funcionários, clientes, fornecedores e todos os nichos da sociedade. Afinal, uma empresa comprometida com a ética busca agregar mais valor do que o de uma empresa que só visa lucros.

As questões éticas de uma empresa ou organização, de acordo com Blanchard & Peale (2011), podem ser testadas aplicando-se o Teste de Ética, composto por três perguntas:

  • É legal?
  • É imparcial?
  • Vou me sentir bem comigo mesmo?

De acordo com os autores, deve ser legal tanto no direito civil como no criminal e também de acordo com a política da companhia.

A decisão deve ser justa e não favorecer a uma das partes em prejuízo da outra.

Para responder à questão de como ser ético e produtivo ao mesmo tempo, Blanchard & Peale (2011), declaram que os piores problemas éticos são as melhores oportunidades de crescimento moral.

Para eles são cinco os princípios básicos do poder ético:

  • Propósito
  • Pundonor
  • Paciência
  • Persistência
  • Perspectiva

O Propósito vem a ser o que dá o significado à vida. É um objetivo, uma meta, por exemplo, honrar com a palavra. Quando a pessoa esquece seu propósito não se sente bem consigo mesma. Pode enganar o mundo, mas não a si mesmo.

Pundonor é a satisfação, o orgulho com suas realizações, sentir-se bem por ter feito o correto. Não seria um senso de superioridade, pois a pessoa neste caso não admite estar errada e sentir-se rebaixada. Acaba então cedendo às pressões para ser antiética, pois seu orgulho a leva a querer sempre vencer e a disfarçar seus próprios erros. Já as pessoas com senso de inferioridade tomam atitudes contrárias ao que pensam porque são guiadas pelo desejo de serem aceitas pelos outros.

Ambos os casos denotam falta de amor-próprio e autoestima. Deve-se buscar um equilíbrio: fazer o melhor, acreditar que tem valor e deixar de agir como vítima.

A Paciência vem a ser acreditar que tudo acabará bem e ter confiança na decisão ética a longo prazo. Ter também crença num poder maior, Deus.

Persistência seria não só cumprir os compromissos, mas agir coerente com seus princípios o tempo todo. Muitos agem errado dando desculpa que no momento não é conveniente agir certo.

Perspectiva é a capacidade de ver o que é realmente importante na sua vida. Isto se consegue com a reflexão, momentos de silêncio e introspecção, que deve ser feita diariamente.

 

REFLEXÃO PESSOAL

Pela minha experiência pessoal concordo com Blanchard & Peale (2011) quando afirmam que pode ser que uma empresa tenha uma cultura ética incompatível com o pensar de um indivíduo. Sendo assim é melhor procurar outra empresa ou iniciar seu próprio negócio. Muitos procuram não se preocupar com o ético e se concentram apenas em ser mais eficientes e lucrativos. Outros continuam a tentar mudar a situação.

Creio que os líderes devam usar valores éticos e espirituais de várias fontes para obter orientação no seu trabalho. Isto com certeza os ajudarão em suas decisões crucias de liderança.

Também concordo com Marinho & Oliveira (2009), quando dizem que o modelo de liderança fundamentado na ética, que implica integridade, moralidade e responsabilidade social, dispensa maiores defesas, mas isso nem sempre é fácil de pôr em prática.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Blanchard, K. & Peale, N. V. (2011). O Poder da Administração Ética. Rio de Janeiro: Editora Record

Chiavenato, I. (2002). Construção de Talentos. Coaching & Mentoring. Rio de Janeiro: Elsevier Editora.

Greenleaf, R. K. (1977). Servant leadership : A journey into the nature of legitimate power and greatness. New York: Paulist Press.

Ferrel, O.C., Fraedrich,  J., Ferrell, L. (2004).  Ética Empresarial (4ª Ed.). São Paulo, Reichmann & Affonso Editores.

Oliveira, J. F. & Marinho, R. M. (2009). Liderança. Uma Questão de Competência. São Paulo: Editora Saraiva.

Maxwell, J. C. (2002). As 17 incontestáveis leis do trabalho em equipe. São Paulo: Mundo Cristão.

O´Tole, J. (1997). Liderando Mudanças. São Paulo: Makron Books.

Valls, Álvaro L.M. (1993). O que é ética (7ª  Ed.). São Paulo, Brasiliense.

Wheatley, M. J. (2009). Liderança e a Nova Ciência. São Paulo: Editora Pensamento Cultrix.