COMUNICAÇÃO E VISÃO INTERCULTURAL

INTRODUÇÃO

Muito se estuda sobre as origens da comunicação, mas a maneira mais natural de se entender o processo evolutivo da comunicação humana é analisar a própria evolução humana, bem como a evolução dos elementos da comunicação.

É importante ter em mente que apesar de abordarmos separadamente a evolução dos elementos da comunicação, elas ocorrem de maneira paralela e encadeada. Os agentes destas mudanças são o emissor e o receptor, que ainda hoje somos nós, seres humanos.

No tocante a visão intercultural, podemos dizer que quando encontramos pessoas de outra cultura, muitas vezes assumimos que o que vemos tem o mesmo significado em nossa própria cultura. Porém, logo se descobre que existe algo mais. O que nos parece familiar, pode parecer estranho para outros. A razão para essa condição é o que o antropólogo Edward T. Hall (1969) chama de “dimensão oculta” da cultura. A cultura molda a maneira como pensamos e agimos. Ela penetra profundamente em como percebemos o mundo.

 

REFLEXÃO ACADÊMICA

 

Comunicação e Cultura 

Comunicação é o processo de transmitir significado do emissor para o receptor com o objetivo de criar mútuo entendimento. O emissor codifica as idéias em símbolos. Os símbolos podem ser palavras faladas ou não-faladas. As mensagens enviadas usando palavras são chamadas de comunicação verbal. As mensagens enviadas sem utilizar palavras são chamadas de comunicação não-verbal.

Cultura torna a comunicação possível através de um sistema em que as pessoas de uma cultura podem compreender facilmente. Na comunicação humana, as idéias não são comunicadas de mente para mente. (Analogia: computadores (hardware) não se comunicam diretamente, eles precisam de um sistema operacional compatível e de um software.) A comunicação humana utiliza símbolos para se comunicar, ou seja, os símbolos possuem significado.

 

Visão Intercultural

A interculturalidade tem lugar quando duas ou mais culturas entram em interação de uma forma horizontal e sinérgica. Para tal, nenhum dos grupos deve encontrar-se acima de qualquer outro que seja, favorecendo assim a integração e a convivência das pessoas.

Este tipo de relações interculturais implica ter respeito pela diversidade; embora, por razões óbvias, o aparecimento de conflitos seja inevitável e imprevisível, podem ser resolvidos através do respeito, do diálogo e da concertação/assertividade.

Apesar de a interculturalidade ser um conceito recém-desenvolvido, não foram poucos os investigadores da comunicação, da antropologia, da sociologia e do marketing que já se debruçaram no mesmo. A noção distingue-se do multiculturalismo e do pluralismo pela sua intenção direta de fomentar o diálogo e a relação entre culturas.

Há que ter em conta que a interculturalidade depende de diversos fatores, como é o caso das várias concepções de cultura, dos obstáculos comunicativos, da falta/debilidade de políticas governamentais, das hierarquias sociais e das diferenças econômicas.

O enfoque intercultural consta sempre de três etapas: a negociação (a simbiose produzida para alcançar a compreensão e evitar os confrontos), a penetração (sair do próprio lugar para tomar o ponto de vista do outro) e a descentralização (uma perspectiva de reflexão).

Por outro lado, a interculturalidade consegue-se através de três atitudes básicas, nomeadamente a visão dinâmica das culturas, o fato de acreditar que as relações quotidianas têm lugar através da comunicação, e a construção de uma ampla cidadania com igualdade de direitos.

 

Dimensões Culturais

Quando se interage com pessoas de culturas diferentes, logo se descobre que as culturas têm maneiras diferentes de dar sentido a um evento. Em algumas culturas, é importante ser muito explícito sobre o significado do que se está dizendo. Não importa muito onde se está dizendo isso; o sentido permanece o mesmo. Essas culturas foram chamadas culturas de baixo contexto. Sua mensagem tende a ser muito precisa.

Em outras culturas o significado não está tanto nas palavras como no contexto em que ocorre a mensagem. Estas culturas são referidas como culturas de alto contexto. Nessas culturas, muitas vezes será necessário ler “nas entrelinhas” a fim de compreender o real significado do que está acontecendo em um evento. Em algumas culturas de alto contexto, as pessoas não vão dizer “não” de forma direta, porque isso seria considerado rude. Em vez disso, elas darão dicas não verbais para que se saiba que elas querem dizer “não”.

Para Hall (1969), o contexto é a informação que cerca um evento, e é totalmente ligado com o significado daquele evento. Os elementos que se combinam para produzir um certo significado – eventos e contexto – estão em proporções diferentes dependendo da cultura. As culturas do mundo podem ser comparadas no contexto de uma escala de alto a baixo.

 

Comunicação Intercultural  

Para Hiebert (2010), a comunicação entre as pessoas em culturas diferentes não ocorre no vácuo, mas sempre dentro do contexto dos relacionamentos sociais, afirma o autor. Desta forma a comunicação transcultural criará uma comunidade bicultural que é definida pelo autor como “uma sociedade localizada, na qual as pessoas de diferentes culturas se relacionam mutuamente com base em papéis sociais bem definidos”.

De acordo com Hiebert (2010), com o tempo cria-se uma nova cultura que extrai ideias, sentimentos e valores de ambas. Surge uma cultura que não é nem “nativa” nem “estrangeira”, mas constituída de nativos e estrangeiros.

 

REFLEXÃO PESSOAL

Em minha experiência pessoal pude observar que comportamentos se moldam a partir de impressões cristalizadas pelo tempo. Hábitos formados por sugestões da mídia podem facilmente alterar seus valores de forma inconsciente.

Penso que a interculturalidade interpessoal tem lugar não somente quando pessoas de diferentes culturas entram em contato direto, mas também através de algum meio eletrônico, como a Internet, o rádio ou a televisão.

Concordo com Baumgartner (1999) quando ele diz que o nível mais profundo da cultura é a visão de mundo, nossas suposições do que é real. É em grande parte inconsciente, mas é o nível mais poderoso que influencia todos os outros aspectos da cultura.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Baumgartner, E. W.; Moyer, B. C.; Gustin, P. & Dybdahin, J. L. (2012). Passaporte para a Missão. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira.

Baumgartner, E. (2009). Leading a church into world mission: The life and leadership of John Nevins Andrews. Journal of Applied Christian Leadership 3(1), 10-27.

Bennis, W & Nannus, B. (1985). Líderes: Estratégias para um liderazgo eficaz. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica.

Bennis, W & Goldsmith, J. (2003). Learning to Lead. New York: Basic Books

Bergamini, C. W. (2009). Liderança: administração do sentido.  São Paulo: Atlas.

Bolton, R. (1986). People Skills. New York: Prentice-Hall

Hall, E. T. (1969). The hidden dimension. Garden City, NY: Doubleday.

Hiebert, P. G. (2010). O Evangelho e a Diversidade das Culturas. São Paulo: Vida Nova

Oliveira, J. F. & Marinho R. (2009). Liderança: Uma Questão de Competência. São Paulo: Editora Saraiva.